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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

INTERCÂMBIO PARA MAIORES

Intercâmbios no exterior, antes quase uma exclusividade de adolescentes, entram na mira dos adultos
- Pessoas acima de 30 anos representam hoje 20% da demanda por cursos no exterior. Costumam passar períodos curtos fora do País, geralmente as férias. E conjugam os estudos com turismo. "O intercâmbio vem sendo desmistificado", fala a gerente regional da Education First (EF) Brasil, Cristiane Bianco. "Especialmente nos últimos dois anos, mais adultos têm investido nesses programas. As empresas valorizam um profissional globalizado." A EF oferece cursos de uma série de idiomas, mas a maioria ainda busca se aperfeiçoar no inglês. Cristiane conta que os destinos mais procurados pela faixa etária acima dos 30 são Inglaterra, Chicago e a República de Malta, onde há um programa específico para quem tem mais de 40 anos. A Central de Intercâmbio (CI) oferece programas para executivos que precisam aprender um vocabulário específico do ramo de negócios. "A experiência no exterior é uma necessidade do currículo", acredita a gerente de produto da CI, Luiza Viana. "Tem gente que não teve oportunidade de fazer um intercâmbio quando era mais jovem e realiza o sonho depois dos 30. Hoje há pessoas de todas as idades, até na faixa dos 80 anos." Entre os países mais procurados estão Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, segundo a CI. Na maioria das escolas, é possível personalizar os programas, conforme o gosto do cliente. Há cursos estritamente do idioma falado no país de destino; aulas de cultura local; horários flexíveis para que o aluno possa viajar; ou até extensão universitária e programas acadêmicos. EM BUSCA DE UM SONHO A coordenadora de eventos Thais Vaz Becari, de 32 anos, aproveitou as férias para passar quatro semanas estudando espanhol em Salamanca, na Espanha, no meio do ano passado. "Nunca havia tido tempo nem condições financeiras antes", justifica. "Meu medo era só encontrar adolescentes no programa. Mas conheci gente de todas as idades." Escolheu Salamanca por tratar-se de uma cidade com história e cultura, não muito distante de Madri. Apesar de ter passado apenas um mês, viajou bastante durante os fins de semana: ia de ônibus para todos os lados, chegando até Lisboa. "É um diferencial estudar um idioma assim." Thais hospedou-se na casa de um casal jovem. "Com eles, aprendi sobre o cotidiano da cidade, os hábitos, a cultura. " Apesar de ainda morar com os pais em São Paulo, diz que a experiência foi como cortar o cordão umbilical. "Voltei mais autoconfiante. E, hoje, o espanhol me ajuda muito no trabalho." Gostou tanto que já planeja o próximo intercâmbio, para estudar inglês em alguma cidade dos Estados Unidos. Viajante tarimbado, o arquiteto e advogado Gabriel Macuco, de 47 anos, também apostou em um intercâmbio para aprimorar o inglês. Em maio deste ano, passou uma semana em Miami e duas em Nova York, onde ficou hospedado com um casal de professores aposentados. "Facilitaram meu acesso aos teatros, galerias de arte e outros eventos culturais."Gabriel conheceu pessoas do mundo todo no curso de inglês, e de todas as idades. E a viagem lhe serviu como um teste. "Queria ver como funcionava esses programas, para mandar minhas filhas também", conta o pai de gêmeas de 17 anos. "Querem fazer um intercâmbio na Austrália, e agora aprovo a ideia." IMERSÃO TOTAL Apaixonada por culturas e pela América Latina, a aposentada catarinense Mare Eliane Miyamura, de 55 anos, passou dois meses em Quito, no Equador, para fazer uma imersão no espanhol - idioma que já dominava. "Quanto mais exótico, melhor. Não gosto de ir para os lugares onde todos os brasileiros vão", justifica. Entusiasta de viagens, já conhece muitos países da Europa, além de Panamá, Caribe e México. Mas nunca tinha feito um intercâmbio. "Decidi ficar em uma casa de família para conhecer os hábitos locais." A escola levou em consideração seu perfil e preferências para selecionar a família. "Preferia um lugar sem crianças nem bichos de estimação", conta. E assim foi: ficou na casa de uma senhora com uma filha adulta. Além de estudar, Mare viajou bastante pelo país. Foi à região dos vulcões, para a selva amazônica, Galápagos, Andes e deu um giro pelo litoral. Em cada cidade ou vila, fazia amizades com as pessoas. "É uma aventura, mas sem perigo, pois há toda uma estrutura, da família e da escola. Você nunca é abandonado."Mare recebeu até uma proposta de emprego no Equador. "Sempre foi meu sonho morar fora, e percebi que posso fazer isso." Agora incentiva a filha, de 25 anos, a partir para uma experiência assim. E já planeja fazer outro curso: dessa vez na Costa Rica, em outubro próximo.

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