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sábado, 17 de outubro de 2009

MOÓCA E SUA HISTÓRIA

Segundo os historiadores, a região leste de São Paulo, onde se situa o bairro da Moóca, deve ter sido o local da maior concentração de índios de São Paulo e até do Brasil. A região leste era habitada pelos índios da tribo Guaiana (tupi-guarani).O elemento indígena foi tão forte por aqui, que deixou sua lembrança até no nome do bairro: Moóca.

Acredita-se que esta palavra indígena tenha surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas. Os índios, curiosos com a novidade exclamavam “moo-oca” (moo = faz , oca = casa) .

Ainda hoje, muitos nomes de ruas do bairro têm sua origem em palavras indígenas: Javari, Taquari, Cassandoca, Itaqueri, Arariboia, Guaimbé, Tabajaras, Camé, Juatindiba e outras. Aliás, além do indígena, outro elemento foi importante na origem do bairro da Moóca: o rio.

O desenvolvimento urbano da Moóca está associado à história econômica de São Paulo e as rápidas transformações que nas décadas finais do século XIX e a primeira metade do século XX, fizeram da capital paulistana uma grande metrópole industrial.

A Moóca tem quase a idade da cidade de São Paulo - 453 anos – mas foi a partir do século XIX, quando a São Paulo Railway abre ao tráfego a linha Santos/Jundiaí, que a Moóca inicia o desenvolvimento econômico-social. A Moóca passa a ser conhecida pela elite paulistana com a inauguração, em 14 de março de 1875, do Jockey Club de São Paulo (Hoje no Morumbi); surgem as indústrias que geraram empregos e a fixação dos operários, que passam a construir suas casas, muitas em mutirão, perto das fábricas.

Dentre as fábricas que foram criadas, destacam-se a Cervejaria Bavária, fundada em 1892 e adquirida pela Companhia Antarctica Paulista em 1904; A Fiação e Tecelagem Mooca, fundada em 1897 por Regoli, Crespi ; Companhia de Calçados Clark Limitada, fundada em 1904; a São Paulo Alpargatas S.A., fundada em 1907; Grandes Moinhos Gamba, fundado em 1910; Companhia União dos Refinadores, fundada em 1910; Fundição Brasil, fundada em 1927; Lorenzetti, fundada em 1923; Frigorífico Anglo, fundado em 1924 ; Máquinas Piratininga, fundada em 1935; A Jo.hnson & Johnson, que chegou ao Brasil e instalou-se na Mooca em 1933, etc.

A importância econômica da Mooca na industrialização de São Paulo

A passagem de um local de entretenimento da elite paulistano, com a criação do Jockey Club de São Paulo, inaugurado nos prados da Mooca em 1875, para um bairro fabril e de operários deve-se a três fatores fundamentais:

a. A revolução industrial (máquina à vapor);

b. A existência de terras propícias à produção de café (Vale do Paraíba - RJ);

c. A imigração européia ( italiana).

a. A Revolução Industrial: A partir do final do século XVIII houve um crescimento econômico sem precedentes na Europa e nos Estados Unidos isto devido ao aperfeiçoamento da energia à vapor, que passou a ser empregada na indústria têxtil, no transporte através da ferrovia e na navegação marítima. Os custos foram reduzidos e novos mercados foram abertos. A implantação das ferrovias, para levar o café para o porto de Santos e trazer matérias-primas, foi umas das principais transformações promovidas pelo ouro verde na capital e no Estado.

b. O café: Na segunda metade do século XVII, o comércio internacional apresentou uma novidade. Era o café, originário da Etiópia, onde era consumido na forma de bebida desde a Antiguidade, que havia atravessado o mar Mediterrâneo para ganhar o mundo nos séculos seguintes.

Quando João Alberto de Castelo Branco, em 1781, plantou as primeiras mudas em terras fluminenses, certamente não sabia que estava dando início a um novo ciclo econômico no país. Em poucas décadas, o café daria origem a uma aristocracia e garantiria a economia do Segundo Império e da Primeira República.

Depois de transformar a paisagem do estado do Rio de Janeiro em um imenso mar verde, o café tomou o rumo do estado de São Paulo, atravessando as terras do Vale do Paraíba. Já por volta de 1885, os cafeicultores paulistas respondiam pela maior parte da produção nacional da rubiácea. Coincidindo com a extinção da escravatura, a expansão da lavoura cafeeira deixou em seu rastro novas cidades e novas fortunas.

Ao acender das luzes do século XX, o Brasil era o primeiro produtor mundial de café, cujo mercado internacional dominava. O “ouro verde” era o símbolo do Brasil no exterior.

No caminho que ia da fazenda produtora ao consumidor estrangeiro, o café alavancava o progresso do país. O processo de industrialização foi acelerado com a fabricação no país das máquinas destinadas ao beneficiamento dos grãos de café.

A produção de café cresceu sem interrupções de 1889 a 1930. A produção anual, em 1910, foi de cerca de 15 milhões de sacas, média mantida nos anos seguintes. Em 1915, alcançou a cifra de 17 milhões de sacas e manteve a média na década seguinte, para explodir em 1928 com 26 milhões de sacas.

c. A imigração: Desencantados com o trabalho nas fazendas de café, ainda administradas com mentalidade escravocrata, os imigrantes foram para a capital e se instalaram no bairro do Brás e no bairro da Mooca. Destes, cerca de 100 mil integravam a nova classe operária paulistana, empregada principalmente nas indústrias têxteis e alimentícias, que influenciaram os movimentos operários reivindicatórios. Segundo Eduardo Dias, no seu livro: Um Imigrante e a Revolução, na confluência das Ruas Oratório-Mooca-Avenida Paes de Barros (Praça Vermelha), os comícios eram coisas de impressionar, tal o grau de politização dos trabalhadores da época.

Perfil da Moóca de hoje


Seguindo tendência existente para as grandes avenidas de São Paulo, a maioria das mansões da Moóca cedeu espaço para modernos edifícios, alguns deles sofisticados, ou transformadas em estabelecimentos bancários e comerciais.Uma nova Moóca, porém, se ergueu nos últimos anos, nas cercanias do clube social do Juventus, com a construção de residências de alto padrão.

Segundo especialistas do setor imobiliário, a Moóca vem passando por um processo de transformação imobiliária. As fábricas e indústrias de outrora cederam e continuam cedendo espaços para novos e diversificados empreendimentos imobiliários.

A Moóca atual é um bairro completo e autônomo, que conserva suas características residenciais e familiares, sem abdicar de uma infra-estrutura moderna. É quase que como uma cidade do interior dentro da cidade grande. Os tempos românticos, dos bondes e dos “footings” já se foram, mas a Moóca continua e continuará sendo sempre a mesma: um lugar alegre, acolhedor e apaixonante.

3 comentários:

  1. Sou nascido na Mooca há 51 anos. Sua descrição do bairro é bastante precisa e direta. Muito bom trabalho. Há que se ressaltar também o espírito do mooquense, que se interessa pela conversa, em dar uma indicação e se bobear levar o desconhecido até o seu destino no bairro. É por isso que por aqui se diz: Mooca é Mooca bello!
    Ricardo Bertagnon

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  2. Esse texto é muito bom. Mas ele foi tirado do portal da Mooca e a fonte deveria ter sido citada!

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  3. Boa tarde Vanessa,
    O texto «Mooca e sua história», é um dos meus primeiros post no blog. Esse texto é o resultado de diversas pesquisas em sites (inclusive o Portal da Mooca), livros e notícias diversas. Eu fiz essa pesquisa no final do ano passado para conduzir um grupo de turistas na Mooca.
    Se você ler com atenção o texto completo publicado no portal e o texto completo publicado no blog, você e qualquer outra pessoa poderão ver que, exceto algumas linhas no início e outras no final, todo o meio do texto é completamente diferente de qualquer coisa que tenha sido escrita pelo portal no quadro «História do Bairro», portanto não se trata de um texto «tirado do site do Portal da Mooca», como você escreveu.
    Quando publiquei o texto, não pensei em colocar fontes pois afinal eu não havia escrito uma Monografia que tinha que seguir as regras pela ABNT 6023 (Normas da ABNT referentes ao conteúdo da internet na bibliografia de trabalhos (acadêmicos).
    Eu coloco a fonte quando eu realmente copio um texto.
    De qualquer maneira, nas próximas vezes que eu fizer um trabalho de pesquisa, pretendo publicar junto com o texto a bibliografia dos sites, revistas e livros consultados.
    Agradeço muito a sua atenção e preocupação de fazer seu comentário.
    Marisol Blanco

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